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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu218485
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaTC

Inovação “made in China”

 

A China ultrapassou a Alemanha e entrou, pela primeira vez, no top 10 do ranking dos países mais inovadores do mundo, conhecido como Índice Global de Inovação (GII, na sigla em inglês). O indicador é compilado e divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), uma das agências da ONU.

 

Em 2024, o gigante asiático foi o décimo país mais inovador do planeta. A primeira posição segue com a Suíça, que lidera o GII desde 2011. Logo depois aparecem Suécia e EUA.c O país latino-americano mais bem posicionado no ranking, composto por 139 países, é o Chiled, num intermediário 51º lugar. O Brasil vem logo depois, na 52ª posição.

 

A entrada da China no top 10 da inovação global é mais um demonstrativo de que Pequim entendeu que o crescimento futuro do PIB depende mais da inovação digital do que da produção em série de bens de consumo que, por serem descartáveis, também podem ser mais facilmente reproduzidos por outros competidores.

 

Não deixa de ser sintomático que a China passe a figurar na lista dos países mais inovadores do mundo no momento em que a guerra tarifária do presidente dos EUA desordena o fluxo comercial global. Enquanto Trump tem como motivação o passado industrial glorioso dos EUA, a China tenta se antecipar ao futuro.

 

O país asiático caminha para se tornar o que mais investe em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no mundo, e isso em um momento em que os gastos de outras nações nesse segmento perdem força. Pelas projeções que fazem parte do GII, o crescimento dos gastos globais com P&D deve ser de 2,3% neste ano, o porcentual mais baixo desde 2010.a

 

Certamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidosb de registro de patentes em todo o mundo, enquanto os pedidos de EUA, Japão e Alemanha, que juntos respondem por cerca de 40% dos registrose de patentes globais, tenham caído ligeiramente. A propriedade de patentes está fortemente associada à saúde econômica e ao conhecimento técnico de um país.

 

Outra área que a China domina é a de número de clusters de inovação (grupo de empresas e fornecedores de um mesmo segmento concentrados em uma determinada região geográfica). Em 2024, havia 24 deles no país asiático, contra 22 nos EUA.

 

A China tem apostado fortemente na educação, o que explica parte de seu avanço no desenvolvimento de inovações tecnológicas. Exemplo disso é o destaque que o GII dá ao bom desempenho dos estudantes chineses no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 23.09.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   O motivo que justifica o emprego de vírgula na passagem do 1º parágrafo “A China ultrapassou a Alemanha e entrou, pela primeira vez, no top 10 do ranking dos países mais inovadores do mundo...” também se aplica ao seu emprego em:
  1. A... o crescimento dos gastos globais com P&D deve ser de 2,3% neste ano, o porcentual mais baixo desde 2010.
  2. BCertamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidos...
  3. CA primeira posição segue com a Suíça, que lidera o GII desde 2011. Logo depois aparecem Suécia e EUA.
  4. DO país latino-americano mais bem posicionado no ranking, composto por 139 países, é o Chile...
  5. E... enquanto os pedidos de EUA, Japão e Alemanha, que juntos respondem por cerca de 40% dos registros...
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GabaritoB — Certamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidos...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso da vírgula: isolamento de adjunto adverbial intercalado

Gabarito: letra B. A vírgula na passagem do 1º parágrafo — “A China ultrapassou a Alemanha e entrou, pela primeira vez, no top 10 do ranking...” — isola um adjunto adverbial intercalado (deslocado de sua posição natural, o final da oração). A alternativa B repete exatamente esse mesmo motivo: em “Certamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido...”, a vírgula também isola o adjunto adverbial “em 2024”, que foi intercalado entre a conjunção “que” e o sujeito “a China”.

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer a função sintática que justifica a pontuação. O comando pede que você identifique, entre as alternativas, aquela em que a vírgula cumpre a mesma função da vírgula destacada no trecho-base. A técnica é clássica: isolar o termo entre vírgulas, retirá-lo mentalmente e verificar se a frase continua íntegra. Se sim, o termo é acessório — e, no caso, um adjunto adverbial deslocado.

No trecho-base, “pela primeira vez” é um adjunto adverbial de tempo. Na ordem direta, ele viria ao final: “A China ultrapassou a Alemanha e entrou no top 10 do ranking pela primeira vez”. Ao ser intercalado entre o verbo “entrou” e seu complemento “no top 10”, exige vírgulas para marcar o deslocamento. Essa é a regra: adjunto adverbial deslocado (anteposto ou intercalado) separa-se por vírgula; na posição natural, a vírgula é dispensável (e, se o adjunto for curto, até facultativa).

A banca VUNESP adora essa pegadinha: oferece alternativas em que a vírgula tem outra função — separar oração adjetiva explicativa, isolar aposto, separar elementos de enumeração — para testar se você sabe distinguir o motivo do uso. A armadilha central é a troca de função: todas as vírgulas estão corretas na norma culta, mas apenas uma tem o mesmo motivo da do enunciado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não pergunta se a vírgula está certa — pergunta o motivo do emprego. Todas as alternativas têm vírgulas gramaticalmente corretas; a diferença está na função sintática de cada uma. Não se deixe enganar por frases que “parecem” ter a mesma estrutura: analise o termo isolado.

Alternativa

Termo isolado pela vírgula

Função sintática

Mesmo motivo do trecho-base?

A

“o porcentual mais baixo desde 2010”

Aposto explicativo

❌ Não

B

“em 2024”

Adjunto adverbial intercalado

✅ Sim

C

“que lidera o GII desde 2011”

Oração adjetiva explicativa

❌ Não

D

“composto por 139 países”

Aposto explicativo

❌ Não

E

“que juntos respondem por cerca de 40% dos registros”

Oração adjetiva explicativa

❌ Não

Alternativa A — ❌ Incorreta

“... o crescimento dos gastos globais com P&D deve ser de 2,3% neste ano, o porcentual mais baixo desde 2010.”

Aqui a vírgula isola um aposto explicativo — o termo “o porcentual mais baixo desde 2010” explica, desenvolve o que foi dito antes (“2,3%”). Aposto é um termo que se junta a outro para explicá-lo ou especificá-lo, e se isola por vírgulas (ou dois-pontos). Não é adjunto adverbial. Erro: troca de função sintática (aposto × adjunto adverbial).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Certamente não é coincidência que, em 2024, a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidos...”

A vírgula isola o adjunto adverbial de tempo “em 2024”, intercalado entre a conjunção integrante “que” e o sujeito “a China”. Na ordem direta, seria: “... que a China tenha respondido por cerca de um quarto dos pedidos em 2024”. O deslocamento para o meio da oração exige as vírgulas — exatamente o mesmo motivo do trecho-base, em que “pela primeira vez” foi intercalado entre o verbo e seu complemento. Função idêntica: isolar adjunto adverbial deslocado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“A primeira posição segue com a Suíça, que lidera o GII desde 2011.”

A vírgula separa uma oração subordinada adjetiva explicativa — “que lidera o GII desde 2011” acrescenta uma informação sobre a Suíça, sem restringi-la. Oração adjetiva explicativa é sempre isolada por vírgula, pois traz dado acessório. Não é adjunto adverbial. Erro: troca de função (oração adjetiva explicativa × adjunto adverbial).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“O país latino-americano mais bem posicionado no ranking, composto por 139 países, é o Chile...”

Aqui a vírgula isola um aposto explicativo — “composto por 139 países” explica o termo “ranking”. É a mesma função da alternativa A: aposto, termo acessório que desenvolve um termo anterior. Não é adjunto adverbial. Erro: troca de função (aposto × adjunto adverbial).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“... enquanto os pedidos de EUA, Japão e Alemanha, que juntos respondem por cerca de 40% dos registros...”

A vírgula separa uma oração subordinada adjetiva explicativa — “que juntos respondem por cerca de 40% dos registros” acrescenta uma informação sobre “EUA, Japão e Alemanha”. É a mesma função da alternativa C: oração adjetiva explicativa. Não é adjunto adverbial. Erro: troca de função (oração adjetiva explicativa × adjunto adverbial).

Conclusão: a questão testa o reconhecimento da função sintática do termo isolado pela vírgula. O trecho-base isola um adjunto adverbial intercalado; apenas a alternativa B repete esse motivo. As demais alternativas usam a vírgula para isolar aposto (A e D) ou oração adjetiva explicativa (C e E) — funções diferentes, ainda que gramaticalmente corretas.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de “mesmo motivo da vírgula”, faça o teste da retirada: retire o termo entre vírgulas e veja se a frase continua íntegra. Se o termo for um adjunto adverbial (tempo, lugar, modo...) deslocado, o motivo é o deslocamento; se for um nome que explica outro, é aposto; se for uma oração com “que” que acrescenta informação, é adjetiva explicativa.

Gabarito: letra B

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