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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218489
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaTC

O homem da loja vizinha invadiu a sala de aula, gritando que os rapazes do “Lar” lhe tinham roubado um rádio.

 

O Lar abrigava adolescentes, sem família e sem casa, que acabavam por o abandonar, passado algum tempo, preferindo andar pelas ruas, nas companhias não impostas.

 

Colérico, o homem insultava-os, derramando toda a raiva armazenada contra os pequenos delinquentes que, volta e meia, se metiam com ele, mais para o enfurecer do que para o roubar. Pelo menos não tínhamos conhecimento de nenhum roubo, na região, que envolvesse os nossos rapazes.

 

Não faziam um gesto sequer para se defenderem do que o comerciante dizia, limitando-se a olhar para um lado e para o outro, como se estivessem a assistir a um jogo de pingue-pongue. Dei comigo tentando seguir os seus olhares e, quando voltei a atenção para o homem, vi que não tinha ouvido as suas falas finais. Pensei que era um exercício que utilizavam para não se chatearem. Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti -chatice. Fiquei furiosa com a descoberta: afinal estava aí a gastar muito do meu tempo, da minha energia, das minhas emoções, e os rapazes desprezavam o que eu dizia!

 

Voltou-se-me o bom senso a tempo de ouvir o final da revolta do homem da loja.

 

Prometi-lhe procurar o rádio e devolver-lho, caso o encontrasse, e dei a aula por terminada, no silêncio construído.

 

(Dina Salústio, “Ele queria tão pouco”. Mornas eram as noites. 2002. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   A narradora afirma ter ficado furiosa, porque descobriu que os adolescentes do Lar
  1. Aroubavam o homem da loja vizinha de forma recorrente e, além do mais, importunavam esse senhor, deixando-o em estado de fúria.
  2. Bdeixavam de se comunicar quando confrontados, em uma clara estratégia para serem respeitosos com os seus interlocutores.
  3. Cmentiam para ela e para o homem da loja vizinha, uma vez que os roubos eram comuns e eles já não tinham vergonha desses delitos.
  4. Dignoravam seus esforços para torná-los educados, o que lhe exigia tempo, energia e emoções e, além disso, era ofendida verbalmente.
  5. Erecorriam ao expediente de olhar para um lugar inespecífico com o intuito de vencer uma situação maçante a que estavam expostos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — recorriam ao expediente de olhar para um lugar inespecífico com o intuito de vencer uma situação maçante a que estavam expostos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A fúria da narradora: o truque anti-chateção dos adolescentes

Gabarito: letra E. A narradora ficou furiosa ao descobrir que os adolescentes do Lar recorriam ao expediente de olhar para um lugar inespecífico como um "truque anti-chateção" para suportar situações maçantes — exatamente o que a alternativa E afirma. A passagem que ancora essa leitura está no 4º parágrafo: "Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti-chateção. Fiquei furiosa com a descoberta".

O comando pede compreensão/recorrência — o verbo "afirma" indica que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é localizar o trecho que explica a fúria da narradora e compará-lo com cada alternativa, verificando se houve reescritura equivalente ou se houve extrapolação, restrição ou troca de sentido.

O texto narra a invasão de um comerciante colérico na sala de aula, acusando os adolescentes do Lar de roubarem seu rádio. A narradora, professora, observa que os rapazes não se defendem, apenas olham para os lados "como se estivessem a assistir a um jogo de pingue-pongue". Ela inicialmente pensa que é um exercício para não se chatearem, mas logo generaliza: "Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti-chateção". É essa descoberta — a de que os adolescentes usavam o olhar vago como mecanismo de defesa contra situações entediantes, incluindo as aulas dela — que a enfurece: "Fiquei furiosa com a descoberta: afinal estava aí a gastar muito do meu tempo, da minha energia, das minhas emoções, e os rapazes desprezavam o que eu dizia!".

A técnica central aqui é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve reescrever com outras palavras exatamente o que o texto diz, sem acrescentar, sem suprimir e sem inverter. Cada distratora falha por um motivo específico: ou extrapola (atribui ao texto o que ele não afirma), ou contradiz (inverte o sentido), ou tangencia (fala de assunto correlato, mas não abordado).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fato plausível — as alternativas A, C e D parecem "fazer sentido" com a história (roubo, mentira, ofensa), mas o texto não as sustenta. A correta (E) é a única que se limita ao que está escrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que os adolescentes "roubavam o homem da loja vizinha de forma recorrente". O texto, porém, diz o contrário: "Pelo menos não tínhamos conhecimento de nenhum roubo, na região, que envolvesse os nossos rapazes". A acusação do comerciante é apresentada como suspeita, não como fato. Além disso, a fúria da narradora não tem relação com roubo, mas com a descoberta do "truque anti-chateção". A alternativa contradiz o texto ao afirmar como verdade o que ele nega.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que os adolescentes "deixavam de se comunicar quando confrontados, em uma clara estratégia para serem respeitosos". O texto mostra que eles se calavam, sim, mas não por respeito — e sim como mecanismo de defesa contra o tédio: "limitando-se a olhar para um lado e para o outro, como se estivessem a assistir a um jogo de pingue-pongue". A palavra "respeitosos" é uma opinião embutida que o autor não externa; o texto sugere indiferença, não cortesia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + contradiz. A alternativa afirma que os adolescentes "mentiam para ela e para o homem da loja vizinha, uma vez que os roubos eram comuns". O texto não menciona mentira alguma, e novamente nega o roubo: "não tínhamos conhecimento de nenhum roubo". A fúria da narradora também não decorre de mentira, mas da percepção de que os rapazes a desprezavam. A alternativa inventa um motivo (a mentira) que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (acréscimo de informação). A alternativa acerta ao mencionar que a narradora gastava "tempo, energia e emoções" — isso está no texto: "afinal estava aí a gastar muito do meu tempo, da minha energia, das minhas emoções". Porém, acrescenta que ela "era ofendida verbalmente", o que não ocorre em nenhum momento. Os adolescentes não a ofendem; eles simplesmente a ignoram com o olhar vago. A alternativa mistura uma informação correta com uma invenção, tornando-a incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa é uma paráfrase fiel do trecho central. O texto diz: "Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti-chateção". A alternativa reescreve: "recorriam ao expediente de olhar para um lugar inespecífico com o intuito de vencer uma situação maçante a que estavam expostos". Cada elemento corresponde: "olhar para um nada" = "olhar para um lugar inespecífico"; "truque anti-chateção" = "intuito de vencer uma situação maçante". A fúria da narradora decorre exatamente dessa descoberta, como ela mesma afirma: "Fiquei furiosa com a descoberta".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a passagem que responde ao comando e, ao ler cada alternativa, pergunte: "isso está escrito, ou estou completando com o que parece lógico?". A correta é a única que não exige nenhum acréscimo de fora.

Gabarito: letra E. A fúria da narradora nasce da percepção de que os adolescentes usavam o olhar vago como escudo contra o tédio — inclusive durante as aulas dela. As demais alternativas ou contradizem o texto (A, B, C) ou acrescentam informação inexistente (D).

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