Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu218491
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaTC
O homem da loja vizinha invadiu a sala de aula, gritando que os rapazes do “Lar” lhe tinham roubado um rádio.
O Lar abrigava adolescentes, sem família e sem casa, que acabavam por o abandonar, passado algum tempo, preferindo andar pelas ruas, nas companhias não impostas.
Colérico, o homem insultava-os, derramando toda a raiva armazenada contra os pequenos delinquentes que, volta e meia, se metiam com ele, mais para o enfurecer do que para o roubar. Pelo menos não tínhamos conhecimento de nenhum roubo, na região, que envolvesse os nossos rapazes.
Não faziam um gesto sequer para se defenderem do que o comerciante dizia, limitando-se a olhar para um lado e para o outro, como se estivessem a assistir a um jogo de pingue-pongue. Dei comigo tentando seguir os seus olhares e, quando voltei a atenção para o homem, vi que não tinha ouvido as suas falas finais. Pensei que era um exercício que utilizavam para não se chatearem. Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti -chatice. Fiquei furiosa com a descoberta: afinal estava aí a gastar muito do meu tempo, da minha energia, das minhas emoções, e os rapazes desprezavam o que eu dizia!
Voltou-se-me o bom senso a tempo de ouvir o final da revolta do homem da loja.
Prometi-lhe procurar o rádio e devolver-lho, caso o encontrasse, e dei a aula por terminada, no silêncio construído.
(Dina Salústio, “Ele queria tão pouco”. Mornas eram as noites. 2002. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância.
AGastar meu tempo com os adolescentes eram um tipo de coisa que me deixava bem, e queria que eles gostassem daquilo.
BQuaisquer pessoas que me vissem naquele momento entenderia facilmente por que eu fiquei tão nervosa de repente.
COs sentimentos de raiva armazenado pelo dono da loja vizinha estavam sendo liberado naquele momento de insultos.
DHaviam, entre o dono da loja e os adolescentes do lar, desentendimentos decorrentes de uma possível situação de roubo.
EAs atitudes dos adolescentes para enfurecer o dono da loja eram recorrentes e haviam-se tornado um problema a ele.
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GabaritoE — As atitudes dos adolescentes para enfurecer o dono da loja eram recorrentes e haviam-se tornado um problema a ele.
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Concordância verbal e nominal: a norma-padrão em jogo
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância: o sujeito "As atitudes dos adolescentes" (núcleo plural "atitudes") exige o verbo "eram" no plural, e o particípio "tornado" concorda com o núcleo do sujeito da voz passiva, "um problema" (masculino singular). As demais alternativas violam regras claras de concordância verbal ou nominal, como veremos a seguir.
O comando pede que você assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância. Isso significa que você deve analisar cada frase isoladamente, verificando se o verbo concorda com o sujeito e se os nomes (adjetivos, particípios, pronomes) concordam com seus referentes. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras gramaticais. A dica de ouro: identifique o núcleo do sujeito e o verbo, e depois confira se estão na mesma pessoa e número; para a concordância nominal, verifique se o adjetivo/particípio concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.
No texto-base, a passagem que sustenta a alternativa E é:
"mais para o enfurecer do que para o roubar"
Ela mostra que as atitudes dos adolescentes eram recorrentes e tinham a intenção de enfurecer o dono da loja. A alternativa E parafraseia essa ideia com correção gramatical.
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o verbo está no número correto? O particípio/adjetivo concorda com o substantivo certo? Vamos aplicar isso a cada uma.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: concordância verbal com sujeito oracional.
Na frase "Gastar meu tempo com os adolescentes eram um tipo de coisa...", o sujeito é a oração "Gastar meu tempo com os adolescentes". Quando o sujeito é uma oração, o verbo deve ficar na 3ª pessoa do singular: "era", e não "eram". O correto seria: "Gastar meu tempo com os adolescentes era um tipo de coisa...". A banca explora a proximidade com o plural "adolescentes", mas o núcleo do sujeito é a ação de gastar, que é singular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: concordância verbal com pronome indefinido.
A frase "Quaisquer pessoas que me vissem naquele momento entenderia facilmente..." tem como sujeito "Quaisquer pessoas" (plural). O verbo "entenderia" está no singular, mas deveria concordar com o sujeito plural: "entenderiam". A pegadinha está no pronome "quaisquer", que já indica plural, mas o verbo não acompanha. O correto seria: "Quaisquer pessoas que me vissem naquele momento entenderiam facilmente...".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: concordância nominal do particípio.
Na frase "Os sentimentos de raiva armazenado pelo dono da loja vizinha estavam sendo liberado naquele momento de insultos", o particípio "armazenado" deveria concordar com "sentimentos" (masculino plural): "armazenados". Além disso, o particípio "liberado" também deveria concordar com "sentimentos": "liberados". O correto seria: "Os sentimentos de raiva armazenados pelo dono da loja vizinha estavam sendo liberados naquele momento de insultos". A banca usa o singular "armazenado" e "liberado" para testar se você percebe que o referente é plural.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: uso do verbo haver como impessoal.
A frase "Haviam, entre o dono da loja e os adolescentes do lar, desentendimentos..." usa o verbo "haver" no sentido de existir. Nesse caso, o verbo haver é impessoal e deve ficar sempre no singular: "Havia", e não "Haviam". O correto seria: "Havia, entre o dono da loja e os adolescentes do lar, desentendimentos...". A banca explora a confusão comum entre "haver" (impessoal) e "existir" (pessoal).
Alternativa E — ✅ Correta
Concordância verbal e nominal corretas.
Na frase "As atitudes dos adolescentes para enfurecer o dono da loja eram recorrentes e haviam-se tornado um problema a ele", temos:
Sujeito: "As atitudes dos adolescentes" — núcleo "atitudes" (plural) → verbo "eram" (plural) ✅
Predicativo do sujeito: "recorrentes" concorda com "atitudes" (feminino plural) ✅
Locução verbal: "haviam-se tornado" — o verbo auxiliar "haviam" concorda com o sujeito plural "atitudes" ✅
Particípio: "tornado" concorda com o predicativo "um problema" (masculino singular) ✅
A frase está gramaticalmente perfeita e mantém o sentido do texto, que afirma que os adolescentes agiam "mais para o enfurecer do que para o roubar".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de concordância, sublinhe o verbo e pergunte "quem?" ou "o quê?" para achar o sujeito. Depois, confira se o verbo está na mesma pessoa e número. Para a concordância nominal, identifique o substantivo a que o adjetivo/particípio se refere e verifique gênero e número.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora colocar um termo plural próximo ao verbo para induzir ao erro (como em A e B), ou usar o verbo "haver" no plural (como em D). Fique atento ao núcleo do sujeito e à impessoalidade do verbo haver.
Conclusão: A única alternativa que atende à norma-padrão é a letra E, pois todas as outras apresentam desvios de concordância verbal ou nominal. Lembre-se: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, e o particípio/adjetivo concorda com o substantivo a que se refere.