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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218494
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaP

O ECA digital é um bom avanço

 

O Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

 

A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

 

Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

 

Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

 

O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:     Ao analisar a aprovação do Projeto de Lei nº 2.628/2022, o editorial deixa claro que ele
  1. Aé um marco expressivo para a proteção da infância, ainda que originalmente contivesse falhas, corrigidas, e, na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades.
  2. Btem a chance de resolver satisfatoriamente a questão do uso das redes digitais, porque se trata de um documento amplamente discutido e analisado com cuidado.
  3. Cserá de fácil implementação, porque sua votação rápida permitiu que falhas, lacunas e ambiguidades fossem devidamente analisadas e retiradas do texto final.
  4. Dimpõe aos agentes públicos a responsabilidade com a proteção integral da infância, considerando que a família, na maioria das vezes, não sabe como fazê-lo.
  5. Eestá eivado de problemas, uma vez que pode ser um marco regulatório ao qual falta suporte técnico e, além do mais, não conta com apoio da maioria da população.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — é um marco expressivo para a proteção da infância, ainda que originalmente contivesse falhas, corrigidas, e, na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O ECA digital: um avanço com ressalvas

Gabarito: letra A. O editorial deixa claro que o projeto é um marco expressivo para a proteção da infância, mas que, embora as falhas originais tenham sido corrigidas, a versão final deixou lacunas e ambiguidades. Essa leitura está ancorada no 1º parágrafo, quando o autor afirma que "no balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor", e no 3º parágrafo, ao dizer que "a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades". A alternativa A é a única que sintetiza exatamente essa posição equilibrada do texto.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que você identifique o que o editorial "deixa claro" — ou seja, é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita no texto, basta localizar a passagem que corresponde à ideia e reconhecê-la na paráfrase. Não se trata de deduzir, imaginar ou completar com conhecimento de mundo. A técnica é: sublinhe a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e compare cada alternativa com ela, palavra por palavra.

A tese do texto: um avanço positivo, mas imperfeito

O texto é um editorial que avalia o PL 2.628/2022. A tese central aparece logo no 1º parágrafo:

"No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre."

Essa frase resume o duplo movimento do autor: reconhece o mérito (afastaram-se riscos à liberdade de expressão, refinaram-se medidas de proteção) e aponta as falhas (lacunas e ambiguidades). O 3º parágrafo reforça: "Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades." Portanto, a resposta correta precisa conter os dois lados: o avanço e as imperfeições. A alternativa A faz exatamente isso.

A técnica: teste cada alternativa contra o texto

Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza esta afirmação? Se a alternativa acrescenta algo que não está no texto, extrapola; se contradiz uma passagem, está errada; se restringe o alcance com palavras absolutas ("sempre", "apenas", "todos"), também. A correta é a única que permanece fiel ao que está escrito, sem exageros nem omissões.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel da tese. Veja os elementos:

  • "marco expressivo para a proteção da infância" → o texto diz que o projeto "refinou medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes" e que "o resultado é positivo".

  • "originalmente contivesse falhas, corrigidas" → o 2º parágrafo lista os riscos que foram revertidos: "Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição".

  • "na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades" → o 3º parágrafo: "Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades".

Nenhuma informação foi acrescentada ou suprimida. A alternativa espelha o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o projeto "tem a chance de resolver satisfatoriamente a questão do uso das redes digitais" e que foi "amplamente discutido e analisado com cuidado". O texto diz exatamente o contrário: a tramitação foi "desnecessariamente atabalhoada" e "açodada" (1º e 3º parágrafos). Além disso, o autor não promete solução satisfatória — pelo contrário, afirma que "leis, sozinhas, não resolverão o problema" (4º parágrafo). A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola ao afirmar que a chance é de "resolver satisfatoriamente".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que a votação rápida "permitiu que falhas, lacunas e ambiguidades fossem devidamente analisadas e retiradas do texto final". O texto afirma o oposto: "a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades" (3º parágrafo). As falhas não foram retiradas; elas permanecem. A palavra "retiradas" inverte o sentido do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e opinião embutida. O texto menciona a corresponsabilidade de família, escola, instituições e empresas (4º parágrafo), mas não diz que a família "na maioria das vezes, não sabe como fazê-lo". Essa é uma opinião que não está no texto — é um juízo de valor acrescentado pelo examinador. Além disso, a alternativa restringe a responsabilidade aos "agentes públicos", enquanto o texto fala em corresponsabilidade de todos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto e extrapola. A alternativa afirma que o projeto "está eivado de problemas" e que "não conta com apoio da maioria da população". O texto reconhece problemas, mas também reconhece méritos — "o resultado é positivo" (1º parágrafo). Dizer que está "eivado de problemas" (totalmente cheio de defeitos) é um exagero que contradiz a avaliação equilibrada do autor. Além disso, o texto não menciona o apoio da população; essa informação é totalmente externa ao texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora oferecer alternativas que extrapolam com um fato plausível (como a falta de apoio popular) ou que contradizem o texto trocando uma palavra-chave (como "retiradas" em vez de "deixou"). A correta é sempre a que parafraseia a tese sem exageros.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe a tese no 1º parágrafo e teste cada alternativa perguntando: "o texto diz isso?" Se a alternativa usa palavras absolutas ("sempre", "apenas", "todos"), desconfie — quase sempre restringem indevidamente.

Conclusão: a alternativa A é a única que reproduz fielmente a posição do editorial: um avanço positivo, com falhas corrigidas, mas ainda com lacunas e ambiguidades. As demais ou contradizem o texto ou acrescentam informações que ele não contém.

Gabarito: letra A

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