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Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu218496
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaP

O ECA digital é um bom avanço

 

O Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

 

A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

 

Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

 

Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

 

O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:

   

Na passagem do parágrafo do texto “... nenhum texto legal substituirá a ‘aldeia inteira’ necessária para educar e proteger crianças.”, a expressão destacada corresponde a uma

  1. Asinédoque, reportando à ideia de que cabe ao ECA a proteção e a educação das crianças.
  2. Bmetáfora, reportando a todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças.
  3. Csinestesia, reportando diferentes nuances como a sociedade educa e protege suas crianças.
  4. Dcomparação, reportando aos grupos que privilegiam a educação e proteção das crianças.
  5. Emetonímia, reportando ao papel fundamental da família para educar e proteger as crianças.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — metáfora, reportando a todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de Palavras: a metáfora da "aldeia inteira"

Gabarito: letra B. A expressão "aldeia inteira" é uma metáfora — uma comparação implícita, sem conectivo — que representa o conjunto de todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças, como se lê no 4º parágrafo: "Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto". A alternativa B é a única que capta essa transferência de sentido: a "aldeia" não é um lugar literal, mas a imagem de uma comunidade que se mobiliza.

O comando e o texto

A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente na expressão destacada. Isso é uma tarefa de interpretação de texto aplicada à semântica: não basta saber a definição de cada figura; é preciso ver como a expressão funciona no contexto do parágrafo. O texto defende que nenhuma lei, sozinha, resolve o problema da exploração infantil — é necessária a ação conjunta de vários atores sociais. A expressão "aldeia inteira" aparece exatamente nesse ponto, como síntese dessa ideia de esforço coletivo.

A técnica que decide

Aqui, o critério é a presença ou ausência de conectivo comparativo e o tipo de relação entre os termos:

  • Metáfora: comparação implícita, sem conectivo ("Ele é um leão").

  • Comparação (símile): comparação explícita, com conectivo ("Ele é forte como um leão").

  • Metonímia: substituição por proximidade (autor pela obra, parte pelo todo).

  • Sinestesia: mistura de sentidos ("perfume doce e quente").

No trecho, "aldeia inteira" não é comparada a algo com "como" — ela é a imagem usada para falar da comunidade. Não há relação de contiguidade (como na metonímia), mas de substituição simbólica: a aldeia representa, metaforicamente, o conjunto de responsáveis. O próprio texto reforça essa leitura ao listar quem compõe essa "aldeia": família, escola, instituições públicas e empresas.

"Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função."

É essa passagem que autoriza a alternativa B: a "aldeia inteira" é a metáfora desse grupo de responsáveis.

1Metáfora
Comparação implícita (sem conectivo)
Substituição simbólica
2Comparação (símile)
Conectivo explícito ("como")
3Metonímia
Proximidade (parte-todo, autor-obra)
4Sinestesia
Mistura de sentidos
Figuras de palavras
LEVELsoulevel.com.br
Figuras de palavras: Metáfora (Comparação implícita (sem conectivo), Substituição simbólica); Comparação (símile) (Conectivo explícito ("como")); Metonímia (Proximidade (parte-todo, autor-obra)); Sinestesia (Mistura de sentidos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura e restrição de sentido. A sinédoque é um tipo de metonímia em que a parte representa o todo (ou vice-versa). Aqui não há essa relação de contiguidade: "aldeia inteira" não é uma parte que representa o todo, mas uma imagem que substitui o conceito de comunidade. Além disso, a alternativa restringe o sentido ao dizer que cabe ao ECA a proteção e a educação — o texto, ao contrário, afirma que a lei sozinha não resolve e que é preciso a ação de vários agentes.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A expressão "aldeia inteira" é uma metáfora: uma comparação implícita, sem conectivo, que transfere o sentido de "aldeia" (comunidade pequena e unida) para o conjunto de todos os responsáveis pela proteção das crianças. O texto sustenta essa leitura ao defender a corresponsabilidade de família, escola, instituições públicas e empresas. A alternativa B é a única que nomeia corretamente a figura e o seu referente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura. A sinestesia é a mistura de sensações de sentidos diferentes (visão, tato, olfato, paladar, audição) — como "perfume doce e quente". No trecho, não há qualquer fusão de percepções sensoriais; há uma imagem de comunidade. A alternativa também tangencia o tema ao falar em "diferentes nuances", o que não corresponde ao texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura. A comparação (símile) exige um conectivo comparativo explícito, como "como", "tal qual", "assim como". No trecho, não há conectivo — a comparação é implícita, o que caracteriza a metáfora. Além disso, a alternativa restringe o sentido ao falar em "grupos que privilegiam" a educação, quando o texto fala em responsabilidade de todos, não em privilégio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de figura e restrição de sentido. A metonímia é a substituição por proximidade (autor pela obra, parte pelo todo). Aqui, "aldeia inteira" não mantém relação de contiguidade com "família" — é uma imagem que representa o todo. A alternativa também restringe o alcance ao dizer que a expressão se reporta apenas à família, quando o texto menciona explicitamente outros agentes: "família, escola, instituições públicas e empresas".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre metáfora e metonímia/sinédoque. A metonímia tem relação de proximidade (parte-todo, autor-obra); a metáfora é uma substituição simbólica sem conectivo. No trecho, "aldeia inteira" é imagem, não contiguidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras, pergunte: há conectivo comparativo? Se sim, é comparação. Se não, é metáfora. Há relação de proximidade? Se sim, é metonímia. Há mistura de sentidos? Se sim, é sinestesia.

Gabarito: letra B. A expressão "aldeia inteira" é uma metáfora que representa todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças, conforme o texto defende a corresponsabilidade de família, escola, instituições públicas e empresas.

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