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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
vu218499
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaP

O ECA digital é um bom avanço

 

O Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

 

A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

 

Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

 

Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

 

O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:

   

Considere as passagens:

 

• “... resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.”

 

• “A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial...”

 

• “Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o ‘uso compulsivo’...”

 

• “Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles.”

 

No contexto em que estão empregadas, as expressões destacadas exprimem, correta e respectivamente, sentidos de:

  1. Acausa; dúvida; conformidade; conformidade; adição.
  2. Bcausa; possibilidade; exemplificação; conformidade; adição.
  3. Cmodo; certeza; comparação; comparação; adversidade.
  4. Dmodo; possibilidade; comparação; consequência; restrição.
  5. Emeio; dúvida; exemplificação; causa; consequência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — causa; possibilidade; exemplificação; conformidade; adição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações semânticas: o valor dos conectivos no texto

Gabarito: letra B. A questão pede o sentido das expressões destacadas no contexto — e a única sequência que se sustenta é causa; possibilidade; exemplificação; conformidade; adição, como se prova nas passagens do texto. A armadilha central está em trocar o valor de "por" (causa) por finalidade, e o de "quase" (possibilidade) por modo — é a pegadinha clássica de troca de termo.

O comando

O enunciado pede que você identifique o sentido que as expressões destacadas exprimem no contexto em que estão empregadas. Isso é diferente de decorar a classificação gramatical isolada: aqui, o que vale é o efeito de sentido que cada conectivo ou locução produz na frase. A banca não pergunta "que classe gramatical é?", mas "que relação lógica estabelece?". Por isso, a leitura deve ser contextual: cada expressão precisa ser testada dentro do trecho em que aparece.

O texto

O editorial trata do "ECA Digital" e avalia a tramitação do projeto de lei. O autor reconhece avanços, mas aponta riscos e lacunas. As passagens destacadas aparecem em momentos-chave: a sensação de alívio (causa), a possibilidade de remoções (hipótese), a exemplificação de conceitos vagos, a conformidade com um ditado popular e a adição de uma ressalva. Perceba que o texto é dissertativo-argumentativo: o autor defende uma tese (o resultado é positivo, mas poderia ser melhor) e usa conectivos para articular seus argumentos.

A técnica que decide

Para cada expressão, pergunte: que relação lógica ela estabelece entre as ideias? Vejamos:

  • "por ter-se evitado": o "por" introduz a causa do alívio. O alívio é consequência de ter evitado um desastre. Não é finalidade (não se evitou o desastre para sentir alívio).

  • "permitiria": o futuro do pretérito, aqui, expressa possibilidade — algo que poderia acontecer, não que aconteceu. Não é modo (não indica a maneira como algo é feito).

  • "como a exigência": o "como" introduz um exemplo — um caso concreto de conceito vago. Não é comparação (não compara duas coisas).

  • "Como se sabe": o "como" tem valor de conformidade — "conforme se sabe", "tal como se sabe". Não é causa (não explica por que o diabo mora nos detalhes).

  • "mas também": o "mas" é uma conjunção aditiva aqui, somando uma segunda ideia ("nos detalhes e também na falta deles"). Não é adversativa (não há oposição entre as duas ideias).

Análise das alternativas

  1. 1por ter-se evitado → causa
  2. 2permitiria → possibilidade
  3. 3como a exigência → exemplificação
  4. 4Como se sabe → conformidade
  5. 5mas também → adição
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência começa com causa (correto), mas erra no segundo termo: "dúvida" não cabe em "permitiria", que expressa possibilidade. O futuro do pretérito pode indicar dúvida em outros contextos, mas aqui o sentido é de hipótese, não de incerteza. Além disso, o terceiro termo "conformidade" está errado: "como a exigência" é exemplificação. A alternativa troca os valores de dois conectivos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência causa; possibilidade; exemplificação; conformidade; adição é a única que se sustenta integralmente no texto. Veja a prova em cada passagem:

"... resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre."

O "por" indica a causa do alívio.

"A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas..."

O futuro do pretérito "permitiria" expressa possibilidade — algo que poderia ocorrer.

"Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o 'uso compulsivo'..."

O "como" introduz um exemplo de conceito vago.

"Como se sabe, o diabo mora nos detalhes..."

O "como" tem valor de conformidade — "conforme se sabe".

"... mas também, às vezes, na falta deles."

O "mas também" soma uma segunda informação — adição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra no primeiro termo: "modo" não cabe em "por ter-se evitado", que é causa. Também erra no segundo: "certeza" não se aplica a "permitiria", que é possibilidade. E o "como" de "como a exigência" não é comparação, é exemplificação. A alternativa confunde os valores semânticos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra no primeiro termo (modo em vez de causa) e no terceiro (comparação em vez de exemplificação). O quarto termo "consequência" também está errado: "Como se sabe" é conformidade, não consequência. A alternativa acumula três erros.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra no primeiro termo (meio em vez de causa) e no segundo (dúvida em vez de possibilidade). O terceiro termo "exemplificação" está correto, mas o quarto "causa" está errado (é conformidade), e o quinto "consequência" também (é adição). A alternativa mistura acertos e erros, mas não se sustenta.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de ler o contexto e identificar a relação lógica que cada conectivo estabelece. A pegadinha está em trocar valores semânticos parecidos: causa × finalidade, possibilidade × modo, exemplificação × comparação, conformidade × causa, adição × adversidade. Sempre que encontrar um conectivo, pergunte: que relação ele estabelece entre as ideias? A resposta está no texto, não na memória.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "no contexto em que estão empregadas" — isso indica que a resposta depende do sentido que a expressão assume na frase, não da classificação isolada. Teste cada alternativa substituindo a expressão por um sinônimo: se o sentido mudar, está errada.

Gabarito: letra B

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