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Questão de Português — Crase — VUNESP 2025

PortuguêsCrase
Código
vu218502
Banca
VUNESP
Órgão
MPE SP
Ano
2025
Cargo
AnaP

O ECA digital é um bom avanço

 

O Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

 

A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

 

Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

 

Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

 

O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.

 

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:     O uso do acento indicativo da crase está de acordo com a norma-padrão em:
  1. ACabe à todas as pessoas a responsabilidade com a proteção dos menores: família, escola, instituições públicas e empresas.
  2. BA aplicação de uma lei robusta exigirá que haja coragem para se proceder à uma correção de rumos, quando preciso.
  3. CÉ preciso que as pessoas reconheçam que, em relação à solução de um problema, as leis, sozinhas, não vão resolvê-lo.
  4. DO Congresso aprovou o Projeto de Lei nº 2.628/2022, mas os deputados poderiam, de fato, ter chegado à um resultado melhor.
  5. EO avanço regulatório sobre as plataformas não pode transferir culpas à quem não tem nem vai substituir a investigação criminal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — É preciso que as pessoas reconheçam que, em relação à solução de um problema, as leis, sozinhas, não vão resolvê-lo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando o acento grave é obrigatório e quando é proibido

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o acento grave é obrigatório e correto: o substantivo solução exige a preposição a (quem tem relação, tem relação a algo), e essa preposição se funde com o artigo a que antecede o substantivo feminino — daí à solução. As demais alternativas erram por usar crase diante de palavras que não admitem artigo feminino (pronome indefinido, pronome relativo, numeral, verbo).

O comando: o que a banca pede

A questão é de gramática normativa aplicada ao texto: você deve julgar, em cada reescritura, se o uso do acento grave está de acordo com a norma-padrão. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra de crase no contexto de cada frase. O comando "está de acordo com a norma-padrão" exige que você teste, em cada alternativa, se há a fusão da preposição 'a' com o artigo feminino 'a' (ou com o 'a' de pronomes demonstrativos/relativos).

A técnica que decide: o teste da troca por palavra masculina

A crase ocorre quando há preposição 'a' + artigo 'a' (ou o 'a' de pronomes). O teste clássico: troque o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer 'ao', há crase; se aparecer apenas 'o' ou 'a' sem preposição, não há. Exemplo:

  • "em relação à solução" → "em relação ao problema" → apareceu aocrase correta.

  • "Cabe a todas as pessoas" → "Cabe a todos os homens" → apareceu a (sem 'o') → crase proibida.

Esse teste é infalível e resolve a questão sem decorar listas.

A regra de ouro: crase só com palavra feminina que admita artigo

A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição a + o artigo a (ou o 'a' de pronomes demonstrativos/relativos). Portanto, só há crase se o termo seguinte admitir o artigo feminino 'a'. Se o termo for masculino, verbo, pronome indefinido, pronome relativo, numeral ou pronome de tratamento, não há crase.

No texto-base, a alternativa C reescreve o trecho: "é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema". A reescritura "em relação à solução de um problema" mantém o sentido e aplica a crase corretamente, pois "solução" é substantivo feminino que admite artigo e exige a preposição "a" (quem tem relação, tem relação a algo).

Análise das alternativas

Caso

Exemplo

Regra

Teste (troca por masculino)

Substantivo feminino

à solução

✅ Crase (prep. + artigo)

ao problema → crase

Pronome indefinido

a todas

❌ Sem crase

a todos → sem crase

Numeral

a uma / a um

❌ Sem crase

a um → sem crase

Pronome relativo

a quem

❌ Sem crase

— → sem crase

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: crase proibida antes de pronome indefinido.

Em "Cabe à todas as pessoas", o termo "todas" é pronome indefinido e não admite artigo feminino. O correto é "Cabe a todas as pessoas" (sem crase). O verbo "caber" exige a preposição "a", mas como não há artigo, não há fusão. O teste: "Cabe a todos os homens" — aparece "a" sem "o", logo sem crase.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: crase proibida antes de numeral.

Em "proceder à uma correção", o termo "uma" é numeral e não admite artigo. O correto é "proceder a uma correção" (sem crase). O verbo "proceder" exige a preposição "a", mas sem artigo não há crase. O teste: "proceder a um ajuste" — aparece "a" sem "o", logo sem crase.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Crase obrigatória: preposição + artigo feminino.

Em "em relação à solução", o substantivo "solução" é feminino e admite artigo; a expressão "em relação a" exige a preposição "a". Há fusão: a + a = à. O teste: "em relação ao problema" — aparece "ao", logo crase correta. A frase mantém o sentido do texto: "as leis, sozinhas, não vão resolvê-lo" (o problema).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: crase proibida antes de numeral.

Em "chegado à um resultado", o termo "um" é numeral e não admite artigo. O correto é "chegado a um resultado" (sem crase). O verbo "chegar" exige a preposição "a", mas sem artigo não há crase. O teste: "chegado a um ponto" — aparece "a" sem "o", logo sem crase.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: crase proibida antes de pronome relativo.

Em "transferir culpas à quem", o termo "quem" é pronome relativo e nunca admite artigo. O correto é "transferir culpas a quem" (sem crase). O verbo "transferir" exige a preposição "a", mas sem artigo não há crase. O teste: "transferir culpas a quem" — não há como usar "ao", logo sem crase.

Conclusão

A única alternativa que apresenta crase obrigatória e correta é a C, pois há preposição "a" + artigo feminino "a" antes de "solução". As demais erram por usar crase diante de palavras que não admitem artigo feminino: pronome indefinido (A), numeral (B e D) e pronome relativo (E).

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste da troca por palavra masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a" ou "o", não há. Isso resolve 90% das questões de crase.

Gabarito: letra C

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