Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2025
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu218774
Banca
VUNESP
Órgão
CEFSA
Ano
2025
Cargo
CA ( )
Conhecido no mundo sobretudo por abrigar parte do Himalaia, inclusive parcela do Monte Everest, o Nepal ocupa o noticiário mundial nos últimos dias diante da onda de protestos liderada pela população jovem contra o governo de K.P. Sharma Oli, que renunciou ontem ao cargo. Uma república parlamentarista, o país asiático vive seu momento de maior agitação desde 2015, quando nova Constituição entrou em vigor meses após um terremoto matar cerca de 8 mil habitantes.
Ainda que a mobilização dos mais jovens tenha se voltado contra denúncias de nepotismo e a corrupção no Executivo, o motivo da crise foi o bloqueio das redes sociais por determinação do governo local. A medida foi adotada sob a justificativa de que era necessário conter o compartilhamento em massa de discurso de ódio e de notícias fraudulentas nessas plataformas. Não durou muito. Diante das manifestações que deixaram ao menos 19 mortos e uma centena de feridos, K.P. Sharma Oli renunciou ao cargo de primeiro-ministro.
Leia o texto a seguir para responder a questão a seguir: A relação de sentido entre um termo mais geral (hiperônimo) e um termo mais específico (hipônimo) é constatada com os seguintes termos do texto:
A“Monte Everest” e “Nepal”.
B“denúncias” e “protestos”.
C“cargo” e “primeiro-ministro”.
D“mortos” e “feridos”.
E“Constituição” e “terremoto”.
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GabaritoC — “cargo” e “primeiro-ministro”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hiperônimo e hipônimo: a relação de sentido entre "cargo" e "primeiro-ministro"
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que apresenta uma relação de hiperonímia/hiponímia: "cargo" é o termo mais geral (hiperônimo) e "primeiro-ministro" é o termo mais específico (hipônimo), pois primeiro-ministro é um tipo de cargo. Essa relação está explícita no texto quando se lê: "K.P. Sharma Oli renunciou ao cargo de primeiro-ministro". As demais alternativas apresentam outras relações semânticas (parte-todo, causa-consequência, coocorrência), não a relação de generalidade/especificidade pedida.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique, no texto, um par de palavras em que uma seja hiperônimo (termo mais geral) e a outra hipônimo (termo mais específico). Isso é uma questão de significação de palavras — mais precisamente, de relações de sentido entre vocábulos. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer uma relação semântica que já está dada na língua, e que o texto apenas exemplifica. Por isso, a resposta não depende de inferência: basta analisar cada par e verificar se há relação de inclusão de sentido (o específico está contido no geral).
O que são hiperônimo e hipônimo?
Hiperônimo é a palavra de sentido mais amplo, que engloba outras; hipônimo é a palavra de sentido mais restrito, que está contida no hiperônimo. Exemplos clássicos:
A relação é de inclusão de significado: todo hipônimo é um tipo do hiperônimo. No texto, "cargo" é um termo genérico que pode designar diversas funções (presidente, ministro, diretor...); "primeiro-ministro" é uma espécie de cargo. Portanto, a relação é exatamente de hiperonímia/hiponímia.
A armadilha da banca
A banca mistura outras relações semânticas que podem confundir o candidato:
Parte-todo (meronímia): "Monte Everest" é parte do Nepal (geograficamente), mas não é um tipo de Nepal.
Causa-consequência: "terremoto" pode causar "mortos", mas não é um tipo de morto.
Coocorrência: "denúncias" e "protestos" aparecem juntos no contexto, mas não há relação de generalidade.
Coordenação: "mortos" e "feridos" são consequências paralelas, não há hierarquia.
A pegadinha está em não confundir relação de inclusão com outras relações. A banca adora usar pares que estão no mesmo campo semântico, mas não têm relação de hiperonímia.
"Monte Everest" e "Nepal" não formam par hiperônimo/hipônimo. O Monte Everest é uma parte do território do Nepal (relação de meronímia — parte-todo), não um tipo de Nepal. O texto diz: "abrigar parte do Himalaia, inclusive parcela do Monte Everest". Não há relação de generalidade: Nepal não é um termo mais geral que engloba Monte Everest como espécie.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Denúncias" e "protestos" são palavras que aparecem no mesmo contexto ("denúncias de nepotismo e a corrupção" e "onda de protestos"), mas não há relação de hiperonímia. Denúncia não é um tipo de protesto, nem protesto é um tipo de denúncia. São coocorrentes no texto, mas semanticamente independentes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Cargo" é hiperônimo de "primeiro-ministro". O texto confirma: "K.P. Sharma Oli renunciou ao cargo de primeiro-ministro". Primeiro-ministro é uma espécie de cargo, assim como presidente, ministro, diretor etc. A relação é de inclusão: todo primeiro-ministro ocupa um cargo, mas nem todo cargo é de primeiro-ministro. Portanto, é a única alternativa que atende ao comando.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Mortos" e "feridos" são coordenados — ambos são consequências das manifestações ("deixaram ao menos 19 mortos e uma centena de feridos"). Não há relação de generalidade: morto não é um tipo de ferido, nem vice-versa. São categorias distintas, no mesmo nível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Constituição" e "terremoto" não têm relação semântica de inclusão. O texto menciona que a Constituição entrou em vigor "meses após um terremoto", mas isso é uma relação temporal/causal no contexto, não uma relação de sentido entre as palavras. Constituição não é um tipo de terremoto.
Conclusão
A questão testa a capacidade de reconhecer relações de sentido entre palavras. A única alternativa que apresenta relação de hiperonímia/hiponímia é a C, pois "cargo" é o termo geral e "primeiro-ministro" é o termo específico. As demais apresentam relações de parte-todo, coocorrência, coordenação ou causalidade — todas fora do escopo pedido.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar hiperônimo/hipônimo, pergunte: "X é um tipo de Y?" Se sim, X é hipônimo de Y. Teste: "primeiro-ministro é um tipo de cargo?" Sim. "Monte Everest é um tipo de Nepal?" Não — é uma parte. Essa pergunta elimina as distratoras rapidamente.