Questão de Engenharia de Software — Outros tópicos de Engenharia de Software — VUNESP 2025
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Código
vu222959
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2025
Cargo
AnaSistJ ( )
A chamada dívida técnica, no contexto do desenvolvimento de software, refere-se ao custo implícito de retrabalho em virtude da opção por se utilizar uma solução ágil no lugar de uma abordagem considerada mais robusta. Nesse contexto, foi criado um quadrante de dívida técnica, que estabelece as seguintes categorias relativas a tal dívida:
Aprudente e imprudente.
Bparcial e inapropriada.
Cintegral e precipitada.
Dprincipal e descuidada.
Eprovisória e desatenta.
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GabaritoA — prudente e imprudente.
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Dívida Técnica: Quadrante de Cunningham
Gabarito: letra A. O quadrante da dívida técnica, proposto por Martin Fowler (com base nas ideias de Ward Cunningham), classifica a dívida em quatro tipos, combinando duas dimensões: prudente × imprudente e deliberada × inadvertida. A alternativa A é a única que apresenta corretamente as duas categorias que formam o eixo principal do quadrante: prudente e imprudente.
A dívida técnica é um conceito central em engenharia de software que descreve o custo implícito de retrabalho causado pela escolha de uma solução rápida e de menor qualidade em vez de uma abordagem mais robusta e demorada. O termo foi cunhado por Ward Cunningham em 1992, fazendo uma analogia com dívidas financeiras: assim como um empréstimo precisa ser pago com juros, a dívida técnica precisa ser "paga" com refatoração, correções e manutenção adicional. O material de apoio reforça essa ideia: "o débito técnico é basicamente o custo a longo prazo de desenvolver um software com baixa qualidade" e que "nem toda dívida técnica é negativa ou indesejada", podendo ser uma escolha estratégica válida.
O quadrante da dívida técnica foi popularizado por Martin Fowler em seu artigo "Technical Debt Quadrant" (2009). Ele organiza a dívida em quatro quadrantes, cruzando duas dimensões:
Prudente × Imprudente: refere-se à consciência e à justificativa da decisão. Dívida prudente é aquela contraída de forma consciente, com entendimento dos riscos e um plano para pagá-la (ex.: lançar um MVP rapidamente para validar uma ideia). Dívida imprudente é aquela contraída sem pensar nas consequências, por preguiça, pressa ou falta de conhecimento (ex.: escrever código de má qualidade sem intenção de refatorar).
Deliberada × Inadvertida: refere-se à intencionalidade. Dívida deliberada é assumida de propósito, mesmo sabendo que existe. Dívida inadvertida é aquela que a equipe nem percebe que está criando, muitas vezes por falta de conhecimento técnico ou de processos adequados.
A combinação dessas duas dimensões gera os quatro quadrantes:
Dimensão
Deliberada
Inadvertida
Prudente
"Sabemos que estamos devendo e temos um plano"
"Não sabemos que estamos devendo" (mas é aceitável)
Imprudente
"Sabemos que estamos devendo, mas não nos importamos"
"Não sabemos que estamos devendo e nem nos importamos"
A questão, porém, pergunta apenas sobre as categorias estabelecidas pelo quadrante, e a alternativa A traz exatamente o par prudente e imprudente, que é o eixo mais conhecido e cobrado em provas. As demais alternativas trazem pares de adjetivos que não correspondem a nenhuma classificação consagrada na literatura de dívida técnica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o quadrante de dívida técnica e outros conceitos de qualidade de software. O candidato pode lembrar de termos como "dívida parcial", "dívida integral" ou "dívida principal" por associação com outros temas (como dívida financeira ou dívida ativa), mas o quadrante de Fowler usa exatamente os termos prudente e imprudente. Fique atento: a banca adora trocar termos técnicos por sinônimos ou adjetivos plausíveis, mas que não existem na teoria.
Quadrante da dívida técnica
1Prudente × Imprudente
Prudente
Consciente e justificada
Com plano de pagamento
Imprudente
Negligente e sem planejamento
2Deliberada × Inadvertida
Deliberada
Assumida de propósito
Inadvertida
Criada sem perceber
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A apresenta as duas categorias que formam o eixo central do quadrante de dívida técnica: prudente e imprudente. Esses termos são amplamente utilizados na literatura de engenharia de software, especialmente a partir do artigo de Martin Fowler, e representam a dimensão que avalia se a dívida foi contraída de forma consciente e justificada (prudente) ou de forma negligente e sem planejamento (imprudente). É exatamente isso que o enunciado pede ao mencionar "categorias relativas a tal dívida".
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Parcial e inapropriada" não corresponde a nenhuma categoria do quadrante de dívida técnica. O termo "parcial" pode remeter a algo incompleto, mas não é usado na classificação de Fowler. "Inapropriada" também não é um termo técnico do quadrante. A banca provavelmente criou esse distrator para confundir com a ideia de dívida "inadvertida" (que é uma das dimensões), mas "inapropriada" não é sinônimo de "inadvertida" no contexto técnico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Integral e precipitada" não faz parte do quadrante. "Integral" pode sugerir algo completo, mas não é um termo usado na classificação. "Precipitada" poderia ser associada a uma decisão apressada, mas não é o termo técnico. O quadrante usa "prudente" e "imprudente" para descrever a qualidade da decisão, não "precipitada".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Principal e descuidada" também não corresponde ao quadrante. "Principal" pode remeter a dívida principal em finanças, mas não é usado na teoria de dívida técnica. "Descuidada" é um adjetivo que se aproxima de "imprudente", mas não é o termo consagrado. A banca pode ter tentado usar sinônimos, mas a terminologia correta é "prudente" e "imprudente".
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Provisória e desatenta" não é uma categoria do quadrante. "Provisória" pode remeter a soluções temporárias, mas não é o termo usado. "Desatenta" também não é um termo técnico. O quadrante de Fowler é claro: as categorias são prudente e imprudente (e, em outra dimensão, deliberada e inadvertida).