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Questão de Direito Ambiental — Responsabilidade ambiental — FCC 2021

Direito AmbientalResponsabilidade ambiental
Código
fc059743
Banca
FCC
Órgão
DPE-BA
Ano
2021
Cargo
Defensor (A) Público (A)
Uma comunidade se instalou em área de preservação permanente, fixando moradias em área de encosta na região metropolitana de Salvador. Apesar da existência dessa comunidade por mais de uma década, o poder público não adotou providências concretas diante desta situação. Em razão das modificações climáticas, o volume de chuvas se concentrou em um período reduzido de tempo, causando grandes deslizamentos de terras das encostas, tragicamente ceifando a vida de diversos moradores, além de destruir suas moradias e praticamente todos os pertences pessoais. Em tais circunstâncias,
  1. Ao Estado responde pelo risco integral, por expressa disposição legal, não sendo aplicável qualquer excludente para ilidir a responsabilidade do Estado.
  2. Bé possível sustentar a responsabilidade objetiva do Estado, embora esteja caracterizada omissão culposa suficiente para fundamentar a responsabilidade pelos danos e a exigência de prestações para assegurar condições mínimas de bem-estar.
  3. Cnão há como se sustentar a responsabilidade do Estado, uma vez que o excesso de chuvas em um determinado período se enquadra nas hipóteses excludentes de responsabilidade civil, ou seja, o caso fortuito ou a força maior.
  4. Dexiste a responsabilidade do Estado diante deste trágico evento, mas esta depende necessariamente da prova de sua culpa e se limita à indenização pelos danos sofridos pelas vítimas do deslizamento.
  5. Enão há como se sustentar a responsabilidade do Estado, uma vez que se trata de hipótese de culpa exclusiva das próprias vítimas que ocuparam área de preservação permanente.
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GabaritoB — é possível sustentar a responsabilidade objetiva do Estado, embora esteja caracterizada omissão culposa suficiente para fundamentar a responsabilidade pelos danos e a exigência de prestações para assegurar condições mínimas de bem-estar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direito Ambiental – Responsabilidade civil do Estado por omissão em área de preservação permanente

Gabarito: letra B. Diante da omissão do poder público em fiscalizar e agir em área de preservação permanente (APP) por mais de uma década, é possível sustentar a responsabilidade objetiva do Estado com base no art. 225 da CF e na jurisprudência do STJ (REsp 1.374.284/MG), que consagra a responsabilidade objetiva por dano ambiental, informada pela teoria do risco integral. Contudo, a hipótese também comporta a caracterização de omissão culposa, o que torna a alternativa B a mais adequada por abranger ambas as vertentes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o Estado responde pelo risco integral por expressa disposição legal, não sendo aplicável qualquer excludente. Embora a responsabilidade por dano ambiental seja objetiva e fundada no risco integral para o poluidor direto (STJ, Tema 681), a responsabilidade do Estado por omissão no dever de fiscalizar não se submete automaticamente ao regime do risco integral, sendo comum a exigência de demonstração do nexo de causalidade e, em certos casos, da culpa. Ademais, a lei não prevê expressamente o risco integral para a hipótese de omissão estatal em APP, razão pela qual a assertiva é incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reconhece que é possível sustentar a responsabilidade objetiva do Estado, mas também destaca a existência de omissão culposa suficiente para fundamentar a responsabilidade. Essa dualidade é coerente com a jurisprudência: o STJ, em recurso repetitivo (REsp 1.374.284/MG), firmou que "a responsabilidade por dano ambiental é objetiva, informada pela teoria do risco integral", e a Súmula 652 do STJ estabelece a responsabilidade solidária da Administração Pública por danos ambientais decorrentes de omissão no dever de fiscalizar. Assim, mesmo que se entenda pela necessidade de culpa, a omissão prolongada do poder público a caracteriza. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa tenta excluir a responsabilidade do Estado sob o argumento de força maior (excesso de chuvas). No entanto, o desastre não decorreu exclusivamente do fenômeno natural, mas também da omissão estatal que permitiu a ocupação da APP e não adotou medidas preventivas. O caso fortuito ou força maior pode ser excludente quando for a causa exclusiva do dano, o que não ocorre aqui, pois a conduta omissiva do Estado contribuiu para o resultado. Além disso, a teoria do risco integral, aplicável ao dano ambiental, não admite excludentes como força maior (STJ, REsp 1.374.284/MG). Logo, incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a responsabilidade depende necessariamente de prova de culpa e se limita à indenização. A responsabilidade do Estado por dano ambiental pode ser objetiva (independente de culpa), conforme a CF/88 (art. 225) e a jurisprudência consolidada. Além disso, a reparação não se restringe à indenização pecuniária, podendo incluir obrigações de fazer (recomposição, reassentamento, prestações para assegurar condições mínimas de bem-estar). A alternativa restringe indevidamente o regime de responsabilidade estatal, sendo incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa sustenta que a culpa exclusiva das vítimas (que ocuparam APP) afasta a responsabilidade do Estado. Todavia, a ocupação irregular não exclui o dever do poder público de fiscalizar e agir, especialmente quando perdura por mais de uma década. A conduta dos particulares não é a causa exclusiva do dano, pois a omissão estatal contribuiu decisivamente para o desastre. Em tais casos, a responsabilidade do Estado concorre com a das vítimas, não sendo excluída. Portanto, incorreta.


Gabarito: letra B. Com base na responsabilidade objetiva do Estado por dano ambiental (art. 225, CF, e jurisprudência do STJ) e na existência de omissão culposa inequívoca, a alternativa B é a que melhor reflete o entendimento aplicável.

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