Agências Reguladoras – Poder Normativo e Limites
Gabarito: letra C. A autonomia administrativa das agências reguladoras, prevista em suas leis instituidoras, lhes confere poder normativo para editar regras técnicas e tarifárias, mas esse poder não é absoluto: deve respeitar os limites legais fixados pelo legislador, não podendo inovar na ordem jurídica nem contrariar a lei, mesmo em caso de urgência regulatória. Esse entendimento decorre do princípio da legalidade (Art. 37, caput, CF) e da própria natureza delegada da função regulatória.
O enunciado descreve uma situação em que a agência atua sem consulta legislativa prévia – o que é permitido dentro de sua competência normativa –, mas a validade da norma depende de sua conformidade com a lei setorial e os princípios gerais do direito administrativo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a agência pode emitir normas sobre tarifas "prescindindo de autorização legislativa prévia e de observância a leis gerais do setor". O erro está em dispensar a observância das leis gerais do setor. As agências exercem poder normativo secundário (regulamentar), não primário; seus atos não podem contrariar nem ultrapassar o que a lei estabelece.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a autonomia administrativa não inclui poder normativo para definir tarifas, devendo tudo ser detalhado em lei específica. Na verdade, a lei cria a agência e lhe delega a competência para regular certos aspectos, inclusive tarifas, dentro dos parâmetros legais. Não é necessário que cada tarifa seja fixada por lei, mas a agência deve obedecer aos limites e diretrizes legais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa acerta ao reconhecer que a autonomia permite à agência regular tarifas, mas impõe o limite da legalidade: "as normas regulatórias não podem extrapolar os limites legais estabelecidos, inclusive em hipóteses de urgência regulatória". Isso traduz o princípio da legalidade e a submissão da agência ao ordenamento jurídico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que as agências devem submeter decisões normativas à aprovação do Poder Executivo antes da publicação. As agências reguladoras, quando criadas, possuem autonomia administrativa e independência em relação ao Executivo (embora haja vinculação e controle finalístico). Não há exigência genérica de aprovação prévia do Executivo para suas normas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o poder normativo depende de autorização judicial. Isso é falso: as agências editam atos normativos com base na lei que as instituiu, sem necessidade de autorização judicial prévia. O controle judicial é posterior, para verificar a legalidade dos atos.
Gabarito: letra C