Questão de Engenharia de Software — Métricas de Software — FGV 2025
Engenharia de Software›Métricas de Software
Código
fg115302
Banca
FGV
Órgão
MPU
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista do - Desenvolvimento de Sistemas
Durante um processo de contagem de pontos de função de uma aplicação, as telas do sistema foram utilizadas como subsídios. As Figuras 1 e 2 apresentam as telas para cadastro de clientes.Com base na Análise de Pontos de Função, o cadastro apresentado nas Figuras 1 e 2 deve ser contado como:
Auma Entrada Externa e um Arquivo Lógico Interno;
Buma Entrada Externa e dois Arquivos Lógicos Internos;
Cduas Entradas Externas e um Arquivo Lógico Interno;
Dduas Entradas Externas e dois Arquivos Lógicos Internos;
Euma Entrada Externa e três Arquivos Lógicos Internos.
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GabaritoA — uma Entrada Externa e um Arquivo Lógico Interno;
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Análise de Pontos de Função: contagem de telas de cadastro
Gabarito: letra A. O cadastro de clientes apresentado nas Figuras 1 e 2 deve ser contado como uma Entrada Externa (EE) e um Arquivo Lógico Interno (ALI). A tela de cadastro representa uma única função de transação do tipo Entrada Externa (o usuário insere dados para manter o sistema), e os dados persistidos formam um único grupo de dados logicamente relacionados — o Arquivo Lógico Interno —, independentemente de a tela ser dividida em duas partes visuais (Figura 1 e Figura 2). A base conceitual é a Análise de Pontos de Função (APF), padronizada pelo IFPUG.
A Análise de Pontos de Função é uma técnica de medição do tamanho funcional do software sob o ponto de vista do usuário, independente da tecnologia utilizada. Ela classifica as funcionalidades em dois grandes grupos: funções de dados e funções de transação. As funções de dados são o Arquivo Lógico Interno (ALI) e o Arquivo de Interface Externa (AIE); as funções de transação são a Entrada Externa (EE), a Saída Externa (SE) e a Consulta Externa (CE).
A Entrada Externa (EE) é uma função de transação que processa dados ou informações de controle vindos de fora da fronteira da aplicação, com o objetivo de manter um Arquivo Lógico Interno ou alterar o comportamento do sistema. No caso do cadastro de clientes, o usuário digita os dados do cliente e o sistema os armazena — isso é, por definição, uma Entrada Externa. A divisão da tela em duas figuras (Figura 1 e Figura 2) não cria duas Entradas Externas: ambas as partes pertencem ao mesmo processo elementar de cadastro, que é a menor unidade de atividade que faz sentido para o usuário e que é atômica do ponto de vista da aplicação. Se a Figura 1 e a Figura 2 fossem telas de cadastro de entidades diferentes (por exemplo, uma para clientes e outra para endereços), aí sim teríamos duas Entradas Externas — mas o enunciado deixa claro que ambas são telas do cadastro de clientes.
O Arquivo Lógico Interno (ALI) é um grupo de dados logicamente relacionados, reconhecido pelo usuário, mantido por meio de um processo elementar da aplicação que está sendo contada. No cadastro de clientes, os dados inseridos (nome, CPF, endereço, telefone etc.) formam um único grupo de dados logicamente relacionados — o arquivo de clientes. A questão de saber se há um ou dois ALIs depende de quantos grupos de dados logicamente relacionados e reconhecidos pelo usuário são mantidos. Se a Figura 1 cadastra dados básicos do cliente e a Figura 2 cadastra, por exemplo, os endereços do cliente, e o usuário reconhece "Endereço" como um grupo de dados distinto e mantido por um processo elementar próprio, então teríamos dois ALIs. Contudo, o gabarito oficial (letra A) indica que, na visão da banca, as duas figuras representam um único processo elementar de cadastro de cliente, mantendo um único ALI — os campos de endereço, se existirem, são tratados como dados elementares do mesmo arquivo, e não como um grupo de dados separado.
A pegadinha central desta questão é a divisão visual da tela em duas figuras. O candidato pode ser induzido a contar duas Entradas Externas (uma para cada figura) ou dois Arquivos Lógicos Internos (um para cada conjunto de campos). No entanto, a APF conta processos elementares, não telas. Uma tela dividida em abas ou seções continua sendo um único processo elementar se as partes não podem ser executadas de forma independente e se o usuário as percebe como parte de uma única transação. A regra de ouro: o que define a contagem é a funcionalidade percebida pelo usuário, não a apresentação visual.
Guarde a fronteira entre processo elementar e tela: é exatamente nela que as alternativas se dividem. Uma tela = um processo elementar = uma Entrada Externa; um grupo de dados mantido = um ALI. A divisão visual não multiplica a contagem.
Análise de Pontos de Função: Funções de dados (ALI (Arquivo Lógico Interno), AIE (Arquivo de Interface Externa)); Funções de transação (EE (Entrada Externa), SE (Saída Externa), CE (Consulta Externa)); Regra de contagem (Conta processos elementares, não telas, Tela dividida = 1 processo elementar, Divisão visual não multiplica)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta reconhece que as duas figuras compõem um único processo elementar de cadastro de cliente, contado como uma Entrada Externa (função de transação que mantém dados), e que os dados persistidos formam um único Arquivo Lógico Interno (grupo de dados logicamente relacionados, reconhecido pelo usuário e mantido pela aplicação). A divisão da tela em duas figuras não altera a contagem: ambas pertencem ao mesmo cadastro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há dois Arquivos Lógicos Internos. O erro está em contar dois grupos de dados onde há apenas um. As duas figuras representam o cadastro de clientes — os campos exibidos (dados pessoais, endereço etc.) são dados elementares de um único arquivo de clientes, reconhecido pelo usuário como uma coisa só. Para haver dois ALIs, seria necessário que as figuras mantivessem dois grupos de dados logicamente distintos e reconhecidos pelo usuário como entidades separadas (ex.: clientes e endereços, com processos elementares próprios), o que não é o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há duas Entradas Externas. O erro está em contar cada figura como uma função de transação independente. As Figuras 1 e 2 são partes de um mesmo processo elementar de cadastro de cliente — a menor unidade de atividade atômica para o usuário. A divisão visual da tela não cria dois processos elementares; logo, há apenas uma Entrada Externa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acumula os dois erros anteriores: afirma duas Entradas Externas e dois Arquivos Lógicos Internos. Como demonstrado, há apenas uma Entrada Externa (um único processo elementar de cadastro) e um único ALI (um único grupo de dados de clientes mantido). A alternativa erra ao multiplicar tanto a função de transação quanto a função de dados pela divisão visual da tela.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há três Arquivos Lógicos Internos. Não há fundamento para contar três grupos de dados logicamente relacionados no cadastro de clientes. As figuras apresentam campos de um único arquivo de clientes; a contagem de três ALIs seria cabível apenas se houvesse três grupos de dados distintos e mantidos por processos elementares próprios, o que não ocorre. A alternativa também acerta ao indicar uma única Entrada Externa, mas erra na função de dados.