Medidas Cautelares do Tribunal de Contas da União
Gabarito: letra D. O TCU pode, com base na teoria dos poderes implícitos, adotar medidas cautelares como indisponibilidade de bens e desconsideração da personalidade jurídica, desde que não definitivas e com prazo limitado. O STF, no MS 33.251, reconhece que o TCU, no exercício de suas funções de controle, pode decretar medidas urgentes para assegurar a efetividade de suas decisões, inclusive a indisponibilidade de bens de responsáveis, mas essa constrição não pode ultrapassar 1 ano. Todas as três medidas são lícitas, mas a indisponibilidade deve observar o prazo máximo. As demais alternativas ou negam esse poder ou impõem restrições inexistentes.
Medida Cautelar | Licitude | Fundamento | Prazo Máximo |
|---|
I. Indisponibilidade de bens de empregados da sociedade de economia mista | Lícita | Teoria dos poderes implícitos (STF, MS 33.251) | 1 ano |
II. Desconsideração da personalidade jurídica das sociedades empresárias privadas | Lícita | Teoria dos poderes implícitos (STF, MS 33.251) | Não especificado |
III. Medida não descrita no enunciado (atinge dirigentes das empresas consorciadas) | Lícita | Teoria dos poderes implícitos (STF, MS 33.251) | Não especificado |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as três medidas são ilícitas por impor restrições com contraditório diferido, o que seria vedado. Na verdade, o contraditório diferido em medidas cautelares é plenamente admitido no âmbito administrativo (CF, art. 5º, LV), desde que o devido processo legal seja garantido posteriormente. O TCU pode agir urgentemente sem prévia oitiva.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que medidas constritivas do patrimônio de pessoas naturais não podem ser adotadas pelo TCU, sendo ilícitas apenas I e III. O STF, contudo, entende que o TCU pode sim determinar a indisponibilidade de bens de agentes públicos e de particulares que figurem como responsáveis, quando necessário para garantir o ressarcimento ao erário (MS 33.251). Portanto, as medidas I e III são lícitas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Limita a ilicitude à medida III, sob o argumento de que pessoas naturais que não são ordenadoras de despesas não podem sofrer constrição. O TCU pode atingir qualquer pessoa física que tenha se beneficiado ou causado dano ao erário, independentemente do cargo formal de ordenador. A medida III, que atinge dirigentes das empresas consorciadas, é lícita.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reconhece que todas as três medidas são lícitas com base na teoria dos poderes implícitos, e que a indisponibilidade de bens não pode exceder 1 ano. O STF, no MS 33.251, fixou o prazo máximo de 1 ano para constrições cautelares determinadas pelo TCU, sob pena de se tornarem sanções definitivas sem o devido processo. As demais opções ou negam o poder cautelar ou impõe restrições indevidas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sustenta que medidas contra pessoas naturais que não são ordenadoras e a desconsideração da personalidade jurídica só podem ser decretadas pelo Judiciário. O TCU, todavia, pode, nos processos de sua competência, desconsiderar a personalidade jurídica para alcançar os reais responsáveis (Lei 12.846/2013, art. 18). Quanto às pessoas naturais, aplica-se o mesmo entendimento do STF, permitindo a constrição cautelar.
Gabarito: letra D