Questão de Engenharia de Software — Outros modelos de Processo de Software — FGV 2026
Engenharia de Software›Outros modelos de Processo de Software
Código
gp044419
Banca
FGV
Órgão
TJ-SC
Ano
2026
Cargo
Analista de Sistemas
O Tribunal de Justiça iniciou o desenvolvimento de um sistemacorporativo cujos requisitos são apenas parcialmente conhecidos,havendo elevado grau de incerteza quanto à integração com basesde dados e serviços de outros órgãos, ao desempenho sob carga eaos mecanismos de segurança. Em razão dessas características, a equipe optou por um processode desenvolvimento no qual, a cada ciclo, são definidos objetivos,identificados e analisados riscos, desenvolvidas soluções parciais eplanejada a etapa subsequente, permitindo que decisõesarquiteturais sejam tomadas progressivamente com base noconhecimento adquirido ao longo do projeto.Nessa situação, o processo de desenvolvimento mais aderente é o
Amodelo em cascata.
Bmodelo espiral.
Cmodelo V.
DScrum.
Emodelo de prototipação descartável.
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GabaritoB — modelo espiral.
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Modelo Espiral: processo dirigido a riscos
Gabarito: letra B. O modelo espiral é o processo de desenvolvimento mais aderente à situação descrita, pois é um modelo evolucionário dirigido a riscos, no qual cada ciclo (volta na espiral) envolve a definição de objetivos, a análise de riscos, o desenvolvimento de soluções parciais e o planejamento da próxima iteração — exatamente o que o enunciado descreve. Essa característica é amplamente reconhecida na engenharia de software, sendo o modelo espiral o único, entre as alternativas, que coloca a gestão de riscos como atividade central e explícita em cada ciclo.
O modelo espiral foi proposto por Barry Boehm e é um modelo de processo de software evolucionário que combina a natureza iterativa da prototipação com os aspectos sistemáticos e controlados do modelo cascata. A ideia central é que o desenvolvimento ocorre em uma espiral, onde cada volta representa uma fase do processo, e a cada iteração o software vai se tornando mais completo. O que distingue o modelo espiral dos demais é a ênfase explícita na análise e gerenciamento de riscos a cada ciclo, o que o torna especialmente adequado para projetos com alto grau de incerteza, como o descrito no enunciado (requisitos parcialmente conhecidos, incerteza quanto à integração, desempenho e segurança).
Na prática, cada ciclo do modelo espiral é dividido em quatro atividades principais: planejamento (definição de objetivos, alternativas e restrições), análise de riscos (identificação, avaliação e resolução de riscos), engenharia/desenvolvimento (criação de produtos ou protótipos para avaliação) e avaliação do cliente (revisão e aprovação pelos stakeholders). Ao final de cada ciclo, o conhecimento adquirido é utilizado para planejar o próximo, permitindo que decisões arquiteturais sejam tomadas progressivamente, com base no que foi aprendido. Isso é exatamente o que o enunciado descreve: "a cada ciclo, são definidos objetivos, identificados e analisados riscos, desenvolvidas soluções parciais e planejada a etapa subsequente, permitindo que decisões arquiteturais sejam tomadas progressivamente com base no conhecimento adquirido ao longo do projeto".
A principal distinção que importa aqui é entre o modelo espiral e os demais modelos de processo. O modelo cascata e o modelo V são sequenciais e lineares, exigindo que os requisitos sejam bem compreendidos desde o início — o que não é o caso do projeto descrito. O Scrum é um framework ágil que também é iterativo e incremental, mas não tem como foco central a análise explícita de riscos a cada ciclo, e sim a entrega de incrementos de valor em sprints. A prototipação descartável é uma técnica que pode ser usada dentro de outros modelos, mas não é um processo completo de desenvolvimento, e sim uma abordagem para elicitar requisitos. O modelo espiral, por sua vez, é o único que integra a análise de riscos como atividade central e explícita em cada iteração, sendo o mais adequado para projetos com alto grau de incerteza.
A pegadinha que a banca explora neste tema é a confusão entre o modelo espiral e o Scrum, pois ambos são iterativos e incrementais. No entanto, o Scrum não tem como foco central a análise de riscos a cada ciclo, e sim a entrega de incrementos de valor em sprints. O modelo espiral, por sua vez, é o único que coloca a gestão de riscos como atividade central e explícita em cada iteração. Guarde essa fronteira: falou em riscos, cravou espiral — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Modelo espiral (Boehm): Evolucionário (Iterativo + incremental, Combina prototipação com cascata); Dirigido a riscos (Análise de riscos em cada ciclo, Adequado a alta incerteza); 4 atividades por ciclo (Planejamento, Análise de riscos, Desenvolvimento, Avaliação do cliente); Distinção dos demais (Cascata/V: sequenciais, requisitos estáveis, Scrum: ágil, foco em sprints, sem ênfase em riscos, Prototipação: técnica, não processo completo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O modelo em cascata é um modelo sequencial e linear, no qual cada fase só é iniciada após a conclusão da anterior. Ele é adequado quando os requisitos são bem compreendidos e há pouca probabilidade de mudanças radicais, o que não é o caso do projeto descrito, que possui requisitos apenas parcialmente conhecidos e alto grau de incerteza. O modelo cascata não prevê a análise de riscos a cada ciclo, nem o desenvolvimento de soluções parciais, sendo inadequado para a situação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O modelo espiral é um modelo evolucionário dirigido a riscos, no qual cada ciclo envolve a definição de objetivos, a análise de riscos, o desenvolvimento de soluções parciais e o planejamento da próxima iteração. Essa é exatamente a descrição do enunciado, que menciona "a cada ciclo, são definidos objetivos, identificados e analisados riscos, desenvolvidas soluções parciais e planejada a etapa subsequente". O modelo espiral é o mais aderente para projetos com alto grau de incerteza, como o descrito, pois permite que decisões arquiteturais sejam tomadas progressivamente com base no conhecimento adquirido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O modelo V é uma variação do modelo cascata, que enfatiza a verificação e validação em cada fase do desenvolvimento. Ele também é um modelo sequencial, que exige que os requisitos sejam bem compreendidos desde o início, e não prevê a análise de riscos a cada ciclo. Portanto, não é adequado para o projeto descrito, que possui requisitos parcialmente conhecidos e alto grau de incerteza.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Scrum é um framework ágil que é iterativo e incremental, mas não tem como foco central a análise explícita de riscos a cada ciclo. No Scrum, o trabalho é organizado em sprints, e o foco está na entrega de incrementos de valor, com papéis, eventos e artefatos bem definidos. Embora o Scrum possa lidar com incertezas, ele não é o modelo que melhor se encaixa na descrição do enunciado, que enfatiza a análise de riscos e o desenvolvimento de soluções parciais a cada ciclo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A prototipação descartável (throw-away) é uma técnica utilizada para elicitar requisitos, na qual um protótipo é produzido para ajudar a entender os problemas e depois descartado. Ela não é um processo completo de desenvolvimento, mas sim uma técnica que pode ser usada dentro de outros modelos. No projeto descrito, a equipe optou por um processo no qual a cada ciclo são definidos objetivos, analisados riscos e desenvolvidas soluções parciais, o que caracteriza o modelo espiral, e não a prototipação descartável.