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Questão de Direito Administrativo — Regime jurídico administrativo — PUC-PR 2019

Direito AdministrativoRegime jurídico administrativo
Código
qq542602
Banca
PUC-PR
Órgão
Prefeitura de Campo Grande - MS
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal da Receita Municipal
Segundo Daniel Wunder Hachem, “o complexo de princípios e regras que regem o ramo jurídico em comento passa a ser explanado, nessa linha, com base em dois princípios: supremacia do interesse público sobre o privado e indisponibilidade dos interesses público. Um não pode ser compreendido sem o outro, sob pena de desnaturação da essência que subjaz a esse subsistema jurídico”. Considerando a temática suscitada pelo autor, assinale a alternativa CORRETA.
  1. AO ramo jurídico a que se refere o autor é o direito público como um todo, incluindo áreas como o direito administrativo e o direito penal.
  2. BO princípio da supremacia do interesse público sobre o privado impõe a vedação de transações e acordos administrativos sem que lei prévia os autorize em cada caso concreto.
  3. CA indisponibilidade dos interesses públicos é um princípio destinado a ser vinculante inclusive nas relações privadas horizontais.
  4. DA criação de câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos pelos entes federativos não contrapõe a indisponibilidade dos interesses públicos mesmo quando implicar em composição jurídica entre particulares e a Administração Pública.
  5. EOs dois princípios referidos pelo autor são princípios constitucionais expressos na Constituição da República em seu capítulo VII – Da Administração Pública.
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GabaritoD — A criação de câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos pelos entes federativos não contrapõe a indisponibilidade dos interesses públicos mesmo quando implicar em composição jurídica entre particulares e a Administração Pública.

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Regime jurídico administrativo: princípios da supremacia do interesse público e indisponibilidade

Gabarito: letra D. A criação de câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos pelos entes federativos, mesmo quando implica composição entre particulares e a Administração, não contraria o princípio da indisponibilidade do interesse público, desde que tal composição seja autorizada em lei e atenda ao interesse público. Esse entendimento é pacífico na doutrina e decorre das inovações da LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro) que preveem a celebração de compromissos processuais e termos de ajustamento de gestão, ampliando as possibilidades de consensualidade na Administração, sempre com respeito aos princípios basilares.

Alternativa

Afirmação

Análise

Conclusão

A

O ramo jurídico referido é o direito público como um todo, incluindo direito penal.

A citação de Hachem trata especificamente do direito administrativo como subsistema jurídico próprio, não abrangendo todo o direito público.

❌ Incorreta

B

O princípio da supremacia do interesse público impõe a vedação de transações e acordos administrativos sem lei prévia.

A vedação de transações sem lei decorre do princípio da legalidade, não da supremacia. A Administração pode realizar acordos quando autorizada por lei.

❌ Incorreta

C

A indisponibilidade dos interesses públicos é princípio vinculante inclusive nas relações privadas horizontais.

Esse princípio vincula a Administração Pública, não os particulares em suas relações privadas.

❌ Incorreta

D

A criação de câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos não contrapõe a indisponibilidade dos interesses públicos, mesmo com composição entre particulares e a Administração.

É compatível com o princípio, desde que autorizada em lei e atendendo ao interesse público, conforme doutrina e inovações da LINDB.

✅ Correta (Gabarito)

E

Os dois princípios são constitucionais expressos no capítulo VII – Da Administração Pública.

Os princípios da supremacia e indisponibilidade são implícitos no ordenamento, não expressos nesse capítulo da Constituição.

❌ Incorreta

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o ramo jurídico referido é o direito público como um todo, incluindo direito penal. No entanto, a citação de Hachem trata especificamente do direito administrativo como subsistema jurídico próprio. Embora os princípios da supremacia e indisponibilidade sejam comuns ao direito público, o contexto da fala é restrito ao direito administrativo, não abrangendo todo o direito público.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O princípio da supremacia do interesse público não impõe, por si só, a vedação de transações administrativas; pelo contrário, a Administração pode realizar acordos e transações quando autorizada por lei e para atender ao interesse público. A vedação de transações sem lei prévia decorre do princípio da legalidade, não da supremacia. A alternativa confunde os princípios.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A indisponibilidade dos interesses públicos é princípio que vincula a Administração Pública, não as relações privadas horizontais. Os particulares não estão submetidos a esse princípio em suas relações com outros particulares. O erro está em estender a vinculação às relações privadas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A criação de câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos, com composição entre particulares e a Administração, é compatível com a indisponibilidade do interesse público, pois a Administração, quando autorizada por lei e dentro dos limites do interesse público, pode utilizar mecanismos consensuais. A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) expressamente admite compromissos processuais e acordos compensatórios (art. 27), o que demonstra que a consensualidade não viola, em si, o princípio. A alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os princípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade dos interesses públicos não são princípios constitucionais expressos no capítulo VII (Da Administração Pública) da Constituição Federal. Os princípios expressos no art. 37, caput, são: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A supremacia e a indisponibilidade são princípios implícitos ou reconhecidos pela doutrina, mas não constam literalmente do texto constitucional.

Gabarito: letra D.

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