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Questão de Direito Administrativo — Utilização dos bens públicos — VUNESP 2021

Direito AdministrativoUtilização dos bens públicos
Código
vu064776
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Santos - SP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Procurador
Entre os instrumentos adequados para a utilização do bem público por pessoa diversa do titular estão: a autorização de uso, a permissão de uso, a concessão de uso e a concessão de direito real de uso.Assinale a alternativa correta acerca dos referidos instrumentos.
  1. AA autorização de uso e a permissão de uso não conferem direitos aos outorgados contra terceiros.
  2. BA permissão de uso não pode ser revogada a qualquer tempo, a contrário senso estaria caracterizada violação à esfera de direitos dos particulares.
  3. CConcessão de uso é o contrato administrativo pelo qual o Poder Público atribui a utilização não exclusiva de um bem de seu domínio a particular, para que o explore.
  4. DConcessão de direito real de uso é ato unilateral pelo qual a Administração transfere o uso necessariamente remunerado de terreno público a particular, como direito real resolúvel.
  5. EAutorização de uso é o ato unilateral, discricionário e precário pelo qual a Administração consente na prática de determinada atividade individual incidente sobre um bem público.
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GabaritoE — Autorização de uso é o ato unilateral, discricionário e precário pelo qual a Administração consente na prática de determinada atividade individual incidente sobre um bem público.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Utilização dos bens públicos: autorização, permissão, concessão de uso e concessão de direito real de uso

Gabarito: letra E. A autorização de uso é, de fato, ato administrativo unilateral, discricionário e precário, pelo qual a Administração consente que o particular exerça determinada atividade individual incidente sobre bem público — conceito que a alternativa E reproduz com precisão. As demais alternativas contêm erros conceituais: a autorização e a permissão conferem direitos oponíveis a terceiros; a permissão é precária e revogável; a concessão de uso é contrato que atribui utilização exclusiva (não não exclusiva); e a concessão de direito real de uso é contrato, não ato unilateral, e pode ser gratuita.

O tema é o uso privativo de bens públicos, que se dá por meio de títulos jurídicos individuais que conferem ao particular a utilização com exclusividade de parcela do bem. Os principais instrumentos públicos são a autorização, a permissão e a concessão de uso, além da concessão de direito real de uso. A distinção central está na natureza jurídica: autorização e permissão são atos administrativos unilaterais e precários; concessão de uso e concessão de direito real de uso são contratos administrativos, estáveis e com prazo determinado. A banca explora exatamente essa fronteira, trocando características entre os institutos.

A autorização de uso é o ato pelo qual a Administração consente, a título precário, que o particular utilize bem público com exclusividade, no interesse predominante do particular. É discricionária, pode ser gratuita ou onerosa, e pode ser revogada a qualquer tempo, sem indenização, salvo se outorgada com prazo ou condicionada. A permissão de uso, por sua vez, é ato unilateral, discricionário e precário, mas conferido para fins de interesse público, como a instalação de banca de jornal em via pública. A concessão de uso é contrato administrativo que atribui utilização privativa e exclusiva do bem, conforme sua destinação, com prazo determinado e estabilidade relativa. A concessão de direito real de uso é contrato pelo qual a Administração transfere o uso de bem público como direito real resolúvel, podendo ser gratuita ou onerosa, com finalidade de regularização fundiária, urbanização, industrialização, entre outras.

A pegadinha da questão está em inverter as características: a alternativa C diz que a concessão de uso é "não exclusiva", quando na verdade é exclusiva; a alternativa D diz que a concessão de direito real de uso é "ato unilateral" e "necessariamente remunerado", quando é contrato e pode ser gratuito; a alternativa B nega a precariedade da permissão; e a alternativa A nega que autorização e permissão gerem direitos oponíveis a terceiros. A alternativa E é a única que descreve corretamente a autorização de uso.

Uso privativo de bens públicos
  • 1Atos administrativos (precários)
    • Autorização de uso
      • interesse predominante do particular
      • revogável a qualquer tempo
    • Permissão de uso
      • interesse público
      • revogável a qualquer tempo
  • 2Contratos administrativos (estáveis)
    • Concessão de uso
      • utilização exclusiva
      • prazo determinado
    • Concessão de direito real de uso
      • direito real resolúvel
      • gratuita ou onerosa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A autorização de uso e a permissão de uso conferem direitos ao outorgado, inclusive oponíveis a terceiros. O particular que recebe a autorização ou a permissão tem o direito de utilizar o bem com exclusividade, e esse direito pode ser oposto a terceiros que tentem interferir no uso. O que é precário é o vínculo com a Administração, que pode revogar o ato a qualquer tempo, mas isso não elimina a oponibilidade a terceiros. A alternativa erra ao afirmar que não há direitos contra terceiros.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A permissão de uso é ato precário e, portanto, pode ser revogada a qualquer tempo pela Administração, por motivo de interesse público, sem que isso configure violação a direitos dos particulares. A precariedade é característica inerente à permissão. A alternativa inverte a regra, afirmando que não pode ser revogada, o que contraria a natureza do instituto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A concessão de uso é contrato administrativo pelo qual o Poder Público atribui a utilização exclusiva (privativa) de um bem de seu domínio a particular, para que o explore segundo sua destinação. A alternativa troca "exclusiva" por "não exclusiva", invertendo o sentido. A exclusividade é justamente o que caracteriza o uso privativo, diferenciando-o do uso comum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A concessão de direito real de uso é contrato administrativo, não ato unilateral, pelo qual a Administração transfere o uso de terreno público a particular, como direito real resolúvel, podendo ser gratuita ou onerosa, por tempo certo ou indeterminado. A alternativa erra ao dizer que é ato unilateral e que é "necessariamente remunerado". A onerosidade não é requisito essencial; pode haver concessão gratuita, especialmente em casos de interesse social.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A autorização de uso é, de fato, ato administrativo unilateral, discricionário e precário, pelo qual a Administração consente na prática de determinada atividade individual incidente sobre um bem público. É conferida no interesse predominante do particular, pode ser gratuita ou onerosa, e pode ser revogada a qualquer tempo, sem indenização, salvo se outorgada com prazo ou condicionada. A alternativa reproduz com exatidão o conceito doutrinário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as características entre os institutos: a concessão de uso é exclusiva, mas a alternativa C diz "não exclusiva"; a concessão de direito real de uso é contrato e pode ser gratuita, mas a alternativa D diz "ato unilateral" e "necessariamente remunerado"; a permissão é precária e revogável, mas a alternativa B nega isso. Fique atento: autorização e permissão são atos precários; concessão de uso e concessão de direito real de uso são contratos estáveis. Com treino, você identifica essas inversões rapidamente 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar, use a tabela:

Critério

Autorização de uso

Permissão de uso

Concessão de uso

Concessão de direito real de uso

Natureza

Ato administrativo

Ato administrativo

Contrato administrativo

Contrato administrativo

Precariedade

Sim

Sim

Não

Não

Licitação

Dispensada (em regra)

Em regra, dispensada

Exigida

Exigida

Interesse

Predominante do particular

Público

Público/particular

Público/particular

Exclusividade

Sim

Sim

Sim

Sim

Onerosidade

Gratuita ou onerosa

Gratuita ou onerosa

Gratuita ou onerosa

Gratuita ou onerosa

Gabarito: letra E.

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